terça-feira, 19 de novembro de 2013



MINERAIS E SEUS USOS 

Qualquer atividade agrícola ou industrial, no campo da metalurgia, da indústria 
química, da construção civil ou do cultivo da terra, utiliza os minerais ou seus derivados. 
Os fertilizantes, os metais e suas ligas, o cimento, a cerâmica, o vidro, são todos 
produzidos a partir de matérias-primas minerais. 

É cada vez maior a influência dos minerais sobre a vida e desenvolvimento de um 
país. Com o aumento das populações, cada dia se necessita de maior quantidade de 
matéria-prima para atender às crescentes necessidades do ser humano. É difícil 
imaginar o nível material alcançado por nossa civilização, sem o uso dos minerais. Com 
efeito, o consumo per capita de minerais e materiais nos países desenvolvidos é 3 a 6 



CETEM Tratamento de Minérios – 5ª Edição 11   
vezes superior àquele de países em desenvolvimento, como o Brasil, o que mostra o 
potencial de crescimento do consumo interno. 

São conhecidas atualmente cerca de 1.550 espécies minerais distintas. Destas, 
cerca de 20 são elementos químicos e encontram-se no estado nativo (cobre, ouro, 
prata, enxofre, diamante, grafita etc.). O restante dos minerais é constituído por 
compostos, ou seja, com mais de um elemento químico (ex.: barita - 

24 FeS - pirita ,BaSO ). 

Na indústria mineral, os minérios ou minerais são geralmente classificados em 
três grandes classes: metálicos, não-metálicos e energéticos

Minerais metálicos 

. A classe dos não-metálicos 
pode ser subdividida em rochas e minerais industriais, gemas, e águas minerais. Os 
minerais industriais se aplicam diretamente, tais como se encontram ou após algum 
tratamento, ou se prestam como matéria-prima para a fabricação de uma grande 
variedade de produtos. Segue a classificação detalhada dos minerais. 

ferrosos (têm uso intensivo na siderurgia e formam ligas importantes com o ferro): além 
do próprio ferro, manganês, cromo, níquel, cobalto, molibdênio, nióbio, vanádio, 
wolfrâmio; 

não-ferrosos: básicos (cobre, zinco, chumbo e estanho) e leves (alumínio, magnésio, 
titânio e berílio); 

preciosos: ouro, prata, platina, ósmio, irídio, paládio, rutênio e ródio; 

raros: escândio, índio, germânio, gálio etc. 

Rochas e minerais industriais (RMIs) 

estruturais ou para construção civil: agregados (brita e areia), minerais para cimento 
(calcário, areia, argila e gipsita), rochas e pedras ornamentais (granito, gnaisse, 
quartzito, mármore, ardósia etc.), argilas para cerâmica vermelha, artefatos de uso na 
construção civil (amianto, gipsita, vermiculita etc.); 

indústria química: enxofre, barita, bauxita, fluorita, cromita, pirita etc.; 

cerâmicos: argilas, caulins, feldspatos, sílica, talco, zirconita etc.; 

refratários: magnesita, bauxita , cromita, grafita, cianita etc.; 

isolantes: amianto, vermiculita, mica etc.; 

fundentes: fluorita, calcário, criolita etc.; 

abrasivos: diamante, granada, quartzito, coríndon etc.; 

minerais de carga: talco, gipsita, barita, caulim, calcita etc.; 

pigmentos: barita, ocre, minerais de titânio; 



12 Introdução ao Tratamento de Minérios CETEM   
agrominerais (minerais e rochas para a agricultura): fosfato, calcário, sais de potássio, 
enxofre, fonolito, flogopita, gipsita, zeólita etc.; 

minerais “ambientais” (ou minerais “verdes”): bentonita, atapulgita, zeólitas, vermiculita 
etc., utilizados (na forma natural ou modificados) no tratamento de efluentes, na 
adsorção de metais pesados e espécies orgânicas, ou como dessulfurantes de gases 
(calcário). 

Gemas  

pedras preciosas: diamante, esmeralda, safira, turmalina, opala, topázio, águas 
marinhas, ametista etc. (Segundo especialistas, a terminologia “semi-preciosas” não 
deve ser mais usada). 

Águas  

minerais e subterrâneas. 

Minerais energéticos 

radioativos: urânio e tório; 

combustíveis fósseis: petróleo, turfa, linhito, carvão e antracito, que embora não sejam 
minerais no sentido estrito (não são cristalinos e nem de composição inorgânica) são 
estudados pela geologia e extraídos por métodos de mineração. 

NECESSIDADE DE BENEFICIAMENTO 

Frequentemente, um bem mineral não pode ser utilizado tal como é lavrado. 
Quando o seu aproveitamento vai desde a concentração até a extração do metal, por 
exemplo, a primeira operação traz vantagens econômicas (e energéticas) à metalurgia, 
devido ao descarte de massa (rejeito), alcançado na etapa de concentração. Exemplo: 
um minério de scheelita, com teor de 0,35% de 3WO  não pode ser utilizado 
economicamente na metalurgia extrativa. Isto só é possível após concentração gravítica 
(jigue, mesa) ou por flotação, até a obtenção de concentrados com cerca de 70% 3WO . 

Por outro lado, nem sempre é possível concentrar o minério, como é o caso das 
lateritas niquelíferas de Goiás e Pará, onde o seu aproveitamento só é viável partindo-se 
direto para a extração do metal por hidrometalurgia. Isto é devido à distribuição do 
níquel na rede cristalina dos minerais de ganga e, além do mais, sem nenhuma 
preferência por determinado mineral, impedindo assim uma concentração. 

Outrossim, pode ser interessante economicamente não chegar ao elemento útil, 
mas a um produto intermediário. Uma rota alternativa de processamento para as 
lateritas niquelíferas é o processo pirometalúrgico que leva ao ferroníquel, em vez de ao 
níquel metálico. Este processo consiste numa calcinação seguida de redução em forno 
elétrico. 



CETEM Tratamento de Minérios – 5ª Edição 13   
FINALIDADES ECONÔMICA E SOCIAL 

As etapas de lavra e de tratamento de minérios constituem uma atividade 
econômica definida e contabilizada nas contas nacionais pelo IBGE, sob a denominação 
de extrativa mineral ou mineração. Sua participação no Produto Interno Bruto-PIB 
(exclusive petróleo&gás) é da ordem de 1,0%. Com uma visão mais abrangente da 
indústria mineral, considerando a transformação dos minerais (a metalurgia, incluindo a 
siderurgia, e produtos não-metálicos), alcança a participação de 5% do PIB e 
corresponde a 20% das exportações brasileiras. 

O tratamento de minérios, apesar de ser essencialmente técnico em suas 
aplicações práticas, não pode desprezar o conceito econômico. É impossível, na prática, 
obter uma separação completa dos constituintes minerais. Sabe-se, como regra geral, 
que quanto maior o teor dos concentrados, maior é a perda, ou seja, mais baixas são as 
recuperações. Como a obtenção de teores mais altos e melhores recuperações 
normalmente implicam num aumento de custo do tratamento, para a obtenção de 
maiores lucros esses vários itens devem ser devidamente balanceados. Deve-se sempre 
ter em mente, regra geral, que os custos decorrentes de uma etapa adicional de 
tratamento de um determinado bem mineral não devem ser maiores do que a 
agregação de valor ao produto assim obtido, excetuando-se os casos especiais (em caso 
de guerra, por exemplo). 

O tratamento de minérios, como toda e qualquer atividade industrial, está 
dirigido para o lucro. Há, porém, um conceito social que não pode ser desprezado, qual 
seja, o princípio da conservação dos recursos minerais, por se tratar de bens não 
renováveis. As reservas dos bens minerais conhecidos são limitadas e não se deve 
permitir o seu aproveitamento predatório, pois o maior lucro obtido, em menor prazo 
possível, dificilmente estará subordinado aos interesses sociais. Diz-se, a respeito, em 
contraposição à agricultura, que “minério só dá uma safra”. 

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